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| Paulo de Tarso Carneiro, alguém que sabe bem o valor da memória |
A aula de Cultura e Cidadania por si só já é especial. É um momento para alunos e professores discutirem os principais problemas que enfrentam em suas comunidades, e os principais desafios que enfrentamos em nossa sociedade. É também um momento para refletirmos sobre como enfrentar esses problemas e desafios, e como nossa futura carreira universitária pode nos auxiliar nessa tarefa. É por tudo isso uma das características que diferencia os pré-vestibulares populares e os pré-vestibulares comerciais. Mas a aula de cultura e cidadania da última terça-feira, dia 12/07, sobre a ditadura militar, foi especialmente especial. Isso porque se tratava de uma aula sobre a ditadura militar recebemos a visita de Paulo de Tarso Carneiro (foto acima), histórico militante de esquerda que participou da resistência à ditadura, que junto a Enilza, uma das fundadoras do Zumbi, relembrou e refletiu o que passou nos anos de repressão.
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| Foto retirada no final da aula, com alunxs, professorxs e colaboradorxs do Zumbi |
A história da amizade entre Paulo de Tarso e Enilza é muito peculiar. Os dois se conheceram nas dependências do
DOPS, quando Enilza era uma funcionária encarregada de levar comida aos presos, e Paulo de Tarso estava encarcerado por sua participação na
Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, grupo de resistência à ditadura militar. Ambos presenciaram torturas bárbaras, o que motivou Enilza a começar a ajudar aqueles presos, e iniciou uma amizade entre eles, que só se efetivaria quando anos mais tarde se reencontraram na militância política.
O depoimento dos dois foi registrado em vídeo, e disponibilizamos abaixo na íntegra. É imperdível! Ambos nos brindaram com uma análise lúcida e crítica dos anos de chumbo. Falaram sobre o que viveram no DOPS, sobre o contexto sócio-político da época, e sobre as diversas formas de repressão que marcaram a sociedade. Paulo falou sobre sua história de vida e como ingressou na militância política. Embora Paulo de Tarso também tenha sofrido torturas horríveis, elas definitivamente não dominaram sua fala. O porquê disso fica claro quando ele explica como conseguiu enfrentar as consequências (físicas, psicológicas e sociais) da tortura, um dos pontos altos do depoimento (parte 5):
"Enquanto tu fica odiando o teu torturador, ele está sempre contigo. [...] Perdoar o torturador não é beneficiá-lo, é eu me libertar. [...] Nesse processo, eu não posso estar culpando fulano, João, Antônio que me torturaram... [...] A verdade é que eles cumpriam ordens, e faziam isso porque tinham um respaldo que vinha de cima."
Aqui vemos claramente a postura madura de alguém que não deixa o medo e o ódio vencer o amor e a vontade de viver.
Lista de reprodução com 7 vídeos e duração total de 1 hora, 21 minutos